domingo, 30 de maio de 2010
Que Fragrância Você Exala?
Por Robert J. Tamasy
Recebemos impressões e chegamos a conclusões baseados no que vemos e ouvimos. Entretanto, nosso modo de pensar, também pode ser influenciado pelo que cheiramos. Quando garoto sempre gostei do cheiro dos lápis de cera. Representavam a oportunidade de ser criativo pintando as figuras do livro para colorir. Amo e acho revigorante o cheiro de café pela manhã. A ida ao cinema será incompleta sem o cheiro de pipocas. E não conheço ninguém que não aprecie o “cheiro de carro novo” de um zero quilômetro.
Os ambientes de trabalho têm também cheiros e odores característicos. Quando trabalhava em jornais havia o cheiro inconfundível de tinta e papel para impressão, que eu levava para casa impregnado em minhas roupas. Quando ao caminhar passamos por um restaurante, os aromas que pairam nas imediações nos tentam a entrar e checar o menu. Certas instalações fabris são conhecidas pelo cheiro de seus produtos e dos processos que utilizam.
Você já pensou que, como profissionais e pessoas de negócios, também exalamos “perfumes” exclusivos que nossos companheiros de trabalho notam? Não me refiro ao desodorante (ou à falta dele), gel capilar ou colônia. Mas da fragrância da nossa personalidade – o “ar” que nos segue quando entramos no ambiente ou chegamos para uma reunião. Como somos: entusiasmados ou taciturnos, otimistas ou pessimistas, ativos ou letárgicos, ansiosos ou relutantes?
Nossas crenças afetam o “perfume” que projetamos para os outros. A Bíblia diz que através de Seus seguidores Deus “exala em todo lugar a fragrância do Seu (de Cristo) conhecimento" (II Coríntios 2.14). Os seguidores de Jesus Cristo, onde quer que estejam, são Seus representantes. Considere as ramificações disto:
Somos embaixadores de Deus. Assim como um embaixador estrangeiro representa sua nação em outra parte do mundo, os seguidores de Jesus são Seus “embaixadores” junto àqueles que ainda não O conhecem. Isto pode ser bom ou mau. Assim como embaixadores deficientes dão uma má impressão sobre seu país, um seguidor de Jesus hipócrita ou sem consistência, pode dar uma impressão insatisfatória aos outros. “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o Seu apelo por nosso intermédio” (II Coríntios 5.20).
Somos a “equipe de vendas” de Deus. O melhor vendedor é o consumidor satisfeito, que usou e apreciou o produto ou serviço e seus benefícios. De maneira similar, os que seguem a Jesus estão bem equipados para falar o que Ele significou em suas vidas e o que Ele pode significar para outros.“Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (II Coríntios 5.20).
Somos a linha divisória de Deus. Nem todos reagirão favoravelmente aos que seguem e vivem para Jesus Cristo, não importa o que seja dito ou feito. Tudo o que podemos fazer é viver tão genuína e fielmente quanto possível, deixando que os outros respondam da forma que escolherem. “Porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro de morte; para aqueles, fragrância de vida” (II Coríntios 2.15-16).
O que importa é que para aqueles que rejeitam Jesus, Ele deve ser motivo de ofensa, não para os que O seguem. “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair; e aquele que nela confia jamais será envergonhado” (Romanos 9.33).
domingo, 25 de abril de 2010
Como é grande o meu amor por você!
Mas o maior amor mesmo é o de Jesus que deu a Sua vida por nós
Com tantas notícias ruins
Relembrar do amor de Jesus só faz bem
É maníaco matando e se suicidando
São religiosos comprometendo a pureza das crianças nos seus desvarios sexuais
Com chuvas e desastres sem fim
É só ligar a tv, principalmente naquele horário no começo das noites...
É terrível, é só desgraça.
Mas ao abrir a Palavra de Deus, em todos os momentos
Podemos sentir o recado da música
Como é grande o meu amor por você
Só um amor tão grande poderia dar a vida
Só um amor tão grande poderia remir os pecados
Só um amor tão grande poderia abrir os céus
Só um amor tão grande poderia garantir os céus
A poesia permite quase tudo, mas o nunca se esqueça, nem um segundo
É do amor de Jesus
Este sim é eterno
Ele diz a mim e a você neste momento
Como é grande o meu amor por você...
Você está triste? Como é grande o meu amor por você
Você está alegre? Como é grande o meu amor por você
Você está doente? Como é grande o meu amor por você
Você está sadio? Como é grande o meu amor por você
Você está desempregado? Como é grande o meu amor por você
Você está empregado? Como é grande o meu amor por você
De qualquer jeito: Como é grande o meu amor por você
Você está vivo? Como é grande o meu amor por você
Não morra sem este amor por você!
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Divisão de bens entre Adão e Eva
- Tenho dois presentes para distribuir entre vocês: um é para fazer xixi em pé e....
Adão, ansiosíssimo, interrompeu, gritando:
- Eu! Eu! Eu! Eu! Eu quero, por favor...Senhor, por favor, por favor....
Sim? Facilitaria a minha vida substancialmente! Por favor! Por favor! Por favor!
Eva concordou edisse que essas coisas não tinham importância para ela.
Entao, Deus na sua infinita bondade presenteou Adão.
Adão ficou maravilhado. Gritava de alegria, corria pelo Jardim do Éden, fazendo xixi em todas as árvores. Correu pela praia fazendo desenhos com seu xixi na areia. Brincava de chafariz. Acendia uma fogueirinha e brincava de bombeiro...
Deus e Eva contemplavam o homem louco de felicidade, até que Eva perguntou a Deus:
E...qual é o outro presente?
Deus respondeu:
- Cérebro, Eva, cérebro.
sábado, 3 de abril de 2010
AS QUATRO ESTAÇÕES DO CASAMENTO
Todos sabemos quais são as quatro estações do ano: Primavera, verão, outono e inverno.
A primavera é a estação das flores, o verão é a época do calor, o outono é a época das frutas e finalmente o inverno é a época do frio.
A Palavra do Senhor nos diz: "Tudo tem seu tempo determinado e há tempo para tudo debaixo do céu." (Ec 3.1).
Vejamos então como se apresentam as estações.
A Primavera
A característica mais marcante da estação é o reflorescimento da flora e da fauna. Muitos animais aproveitam a temperatura ideal da estação para se reproduzir.
Na Primavera matrimonial se reconhecerá essa estação quando chegar também o tempo de se reproduzir. "Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra" disse o Senhor (Gn 1.28).
Na primavera os dias ficam mais longos. Certamente isso poderá ser bem aproveitado: No livro dos Salmos 30:5 lemos : "...O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã".
Para os casais é sempre bom lembrar que depois do inverno a primavera há de chegar. Cantares de Salomão 2.11: "Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e se foi; aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra. A figueira começou a dar seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem".
O Verão
Suas principais características são dias longos e quentes (temperatura elevada), mas também possui dias geralmente chuvosos. Por possuir dias quentes, a tendência é acontecer evaporação da águas e com isso acontecer a precipitação, ou seja, a formação das nuvens de chuva.
No casamento o verão é muito importante. No amor é preciso calor e muita intensidade, mas é preciso ter cuidado com a precipitação, não podemos permitir que ela nos apanhe desprevenidos. Geralmente no casamento quem se precipita, tem sempre algo do que se arrepender.
O Outono
O outono é a estação que marca a transição entre o verão e o inverno. O outono é conhecido como a estação das frutas. Por ser uma fase de transição entre o verão e o inverno, o outono apresenta características de ambas as estações: redução de chuvas, mudanças bruscas no tempo, nevoeiros em algumas regiões.
Entre outras características do outono, podemos citar o fato dos dias e das noites terem a mesma duração. Devemos ter muito cuidado quando no casamento chegarmos à estação do outono para que não mergulhemos na "mesmice" e corramos o risco da monotonia.
No outono matrimonial será tempo de frutificar. Ezequiel 47:12 afirma: "Junto ao rio, às ribanceiras, de um e de outro lado, nascerá toda sorte de árvore que dá fruto para se comer; não murchará a sua folha, nem faltará o seu fruto; nos seus meses, produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; o seu fruto servirá de alimento, e a sua folha, de remédio".
O Inverno
Inverno é a mais fria estação do ano. O inverno é caracterizado, principalmente, pelas baixas temperaturas. Durante a estação, várias espécies de animais, principalmente de pássaros, migram para outras regiões mais quentes.
Se no matrimônio o casal não está atento à chegada do inverno matrimonial, as coisas podem se complicar. Pois no inverno, quando o relacionamento é frio, e tudo parece cinza ao redor, é quando um dos cônjuges acaba por escolher "migrar" para outras regiões. Vai à procura daquilo que sente falta na relação matrimonial.
Outros animais, como ursos, hibernam no inverno, reduzindo grandemente sua atividade metabólica. Em muitas regiões, pode ocorrer a incidência de neve e geadas.
Geralmente no período do inverno matrimonial somos tomados por um instinto de "hibernar". É aquela estação de nossas vidas onde não desejamos realizações, falta-nos motivação suficiente para caminhar.
Quando o inverno matrimonial chegar será preciso estar muito atento. Provérbios 20:4 diz: "O preguiçoso não lavra por causa do inverno, pelo que, na sega, procura e nada encontra".
O inverno matrimonial é um tempo que requer do casal o andar juntinho. Em Eclesiastes 4:9,11 está escrito: "Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará?"
Essa é uma boa orientação para enfrentar o inverno matrimonial.
Antonio Vivaldi (1678- 1741), padre veneziano contemporâneo de Bach, que nos legou belas composições, descreveu as melodias das estações no concerto "As Quatro Estações".
"As Quatro Estações", a peça mais famosa de sua obra, faz parte de 12 concertos denominados O diálogo Entre a Harmonia e a Criatividade. "Nessa série, se acentua a tendência ao sentido pitoresco que resulta na tentativa de se expressar, musicalmente, fenômenos da natureza ou sentimentos, como a primavera, o verão, o outono e o inverno.
O que dizer das quatro estações de Vivaldi? Fantástico. Apliquemos contudo o título de sua obra ao casamento.
Primeiro o Diálogo - Sabemos que diálogo é uma conversação estabelecida entre duas ou mais pessoas. O Outono (estação do ano) é o exato diálogo do Verão com o Inverno. Com isso reconhecemos aqui a importância do diálogo também nas estações do matrimônio.
Deus propôs para o casamento o diálogo: "Não é bom que o homem esteja só" (Gn 2.18). Se Deus desejasse que a vida fosse um MONÓLOGO, Deus permitiria ao homem viver sozinho.
O diálogo entre o Marido e a Mulher, ou a falta dele, afetarão diretamente o diálogo e o relacionamento do casal com Deus. Vejamos: "Igualmente vós, maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus co-herdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações" (1Pedro 3.7).
Em segundo lugar a Harmonia - Em se tratando de música, e disso entendia Vivaldi, a harmonia é o campo que estuda as relações. Para que a música seja harmônica você deve obedecer a uma série de normas.
No casamento não é diferente, é preciso um cuidado profundo nas relações, para não prejudicar a harmonia.
Na música a função principal do sistema tonal é a tônica. A questão toda se resume na tônica ou seja, na aproximação (dominante) e afastamento (subdominante).
No casamento precisamos, para uma boa construção harmônica, considerar a "dominante".
Efésios 5.22 - Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;
Efésios 5.25 - Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela.
Analisado essa regra harmônica, e respeitada a "tônica" que nos foi colocada, não há como desafinar na relação marido e mulher.
Por último a Criatividade - Um dos principais 'combustíveis' para a criatividade é a imaginação. Pessoas criativas estão sempre dispostas a enxergar novas possibilidades e buscar novas relações entre as coisas.
A criatividade se apresenta através de duas linhas de raciocínio: o divergente e o convergente.
*************
Visite o blog do Pr. Carlos Elias, da Primeira Igreja Batista de Campo Grande, RJ
PÁSCOA E FAMÍLIA
por: Gilson Bifano
A Páscoa se aproxima. Época para o comércio levantar recursos financeiros. O comércio precisa disso. Se não fossem essas datas especiais, muitos não poderiam ter seus empregos e a economia sofreria. O problema é que muitas vezes, a forte ênfase no chocolate, no coelhinho, no pescado desvia nossa atenção e perdemos a beleza dos significados bíblicos dessa data.
Quando abrimos a Bíblia e lemos os textos a respeito da Páscoa (Ex 12.1-13; 21-27; 43-49; Dt 16.1-8). Podemos verificar, especialmente no livro de Êxodo, a presença da família nessa festa judaica.
Nas ordens dadas por Deus a Moisés e a Arão, o critério para o sacrifício é que cada família deveria ter o seu próprio cordeiro pascal (Ex 12.3,21).
A primeira Páscoa, conforme o relato de Êxodo, a adoração, deveria ser familiar. Mais uma vez podemos notar o desejo de Deus em ser adorado, em primeiro lugar, no íntimo de cada casa, de cada lar, de cada família (Ex 12.46). Procure fazer isso nessa Páscoa com sua família. Quando Jesus celebrou a Páscoa com seus discípulos, como uma família, foi numa casa (Mt 26.18). O espírito de culto comunitário estava presente (Ex 12.6), mas através de cada família israelita.
Havia também um espírito de comunidade, de entrelaçamento das famílias, de comunhão. Caso uma família fosse pequena para comer um animal inteiro, a ordem era procurar a família mais próxima, e juntas, desfrutarem da comunhão (Ex 12.4). Deus, ao salientar esse detalhe, estava demonstrando o Seu desejo de que as famílias tivessem comunhão, que houvesse um espírito de solidariedade e de compartilhamento. Há estudos que indicam que famílias fortes procuram manter o espírito comunitário. São famílias que não se fecham em si mesmas. Estão sempre abertas para repartir, doar, compartilhar. Quem sabe sua família poderia convidar uma família carente para passar juntos a Páscoa. Uma outra sugestão: convide uma pessoa que more sozinha. Quem sabe um solteiro, uma pessoa que esteja enfrentando a dor do divórcio, uma viúva.
Páscoa também nos lembra livramento familiar. Ao sacrificarem o cordeiro, as famílias deveriam passar um pouco de sangue nas laterais e nas vigas superiores das portas da casa (Ex 12.7). Neste texto, vemos o cuidado de Deus para com as famílias israelitas no Egito. Deus tinha um propósito em preservá-las, como iremos observar no próximo tópico. Nessa Páscoa, procure agradecer a Deus pelo cuidado, pela proteção que Ele tem tido para com sua família. Vivemos dias tão violentos que agradecer a Deus por cada dia vivido deve ser um exercício contínuo, individual e familiar.
Por último, Deus instituiu a Páscoa para que fosse, para sempre, um instrumento de propagação da fé. E isso deveria acontecer em família! Falar do amor, da bondade, da misericórdia e do cuidado de Deus às gerações futuras é tarefa, em primeiro lugar, da família! O relato bíblico diz: “Quando os seus filhos lhes perguntarem: ‘O que significa esta cerimônia?’, respondam-lhes: É o sacrifício da Páscoa ao Senhor, que passou sobre as casas dos israelitas no Egito e poupou nossas casas quando matou os egípcios” (Ex 12.26,27 NVI). A comemoração da Páscoa seria um instrumento pedagógico para falar aos filhos e netos sobre a bondade e fidelidade de Deus. Nesta Páscoa não perca a oportunidade de falar para os seus filhos e netos sobre a bondade de Deus. Fale que em várias passagens da Bíblia Jesus é apresentado como um Cordeiro (Jo 1.29; Ap 4.6). Que Ele, Cristo, é o nosso Cordeiro pascal (1 Co 5.7).
terça-feira, 23 de março de 2010
MILONGAS CORPORATIVAS
Hoje vou pegar no pé dos gurus de recursos humanos (RH). Até pouco tempo atrás, os trabalhadores do setor privado eram classificados como “empregados” e os do setor público como “funcionários”. De repente, os gurus de RH começaram a dizer que era feio chamar alguém de “empregado” e deveríamos passar a chamá-los de “funcionários”. Depois de um tempo, resolveram dizer que “funcionário” também não fica bem e, portando, deveríamos chamá-los de “colaboradores”. Essa é a primeira milonga, conforme justifico mais adiante.
A segunda milonga, muito em voga nos dias atuais, é essa história de dizer que a empresa é uma “família”. Um dia eu ia de avião para São Paulo e um anúncio da empresa dizia: “aqui, somos uma grande família”. A moça que viajava do meu lado elogiou a peça publicitária e me perguntou o que eu achava. Respondi-lhe que aquilo era, para mim, uma grande hipocrisia e uma mentira. Ela ficou assustada, e tive de explicar meu ponto de vista. A família é uma instituição regida por dois deveres: proteção e solidariedade. Já a empresa é uma instituição regida por duas necessidades: profissionalismo e eficiência. Quando vem uma crise, a família não demite o filho; ela divide o bife. A empresa, na primeira dificuldade, põe os “filhos” na rua. Nada há de errado nisso. A empresa tem que sobreviver. O erro é ser ingênuo de achar que não é assim.
Por ironia do destino, logo depois, um acidente com um avião daquela companhia matou dezenas de pessoas. Sobreveio uma crise e a empresa teve que demitir milhares de “colaboradores”. Liguei para minha amiga e perguntei se agora ela entendia por que eu dissera que aquela conversa de “uma grande família” era uma hipocrisia. Costumo provocar meus amigos de RH dizendo que se os senhores feudais tivessem contratado um guru, se passassem a chamar os escravos de “colaboradores” e dado uma cesta básica mensal a eles, talvez a escravidão tivesse durado mais meio século.
No fundo, esses eufemismos só servem para descaracterizar a verdadeira relação de trabalho. Escravo é escravo, empregado é empregado, funcionário é funcionário. Funcionário (público, é claro) tem estabilidade no emprego, não tem patrão (embora tenha chefia), recebe aposentadoria integral ao fim do seu tempo e não corre o risco de uma demissão (a não ser que ele cometa ilícitos). Empregado não tem nada disso, logo não é a mesma relação de trabalho. O próprio Ministério do Trabalho nunca mudou a classificação dos assalariados. O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) não virou CACACOD (Cadastro de Colaboradores Admitidos e Colaboradores Demitidos).
Mas por que não chamar os empregados de “funcionários” ou “colaboradores”? Por três razões: primeiro, porque não é pejorativo ser empregado; segundo, para ficar claro que o empregado não é um filho, o patrão não é um pai, a empresa não é uma família; terceiro, para não iludir os empregados e lembrá-los de que eles devem estudar e cuidar da sua carreira, pois eles não são “funcionários”, logo, nem a empresa nem o governo vão cuidar deles.
Dois filmes me lembram esse assunto. O primeiro é “A Vida é Bela”, que conta a história de Guido, um homem mandado para um campo de concentração nazista, que passa o tempo inventando histórias e jogos para iludir o filho e fazê-lo acreditar que estão participando de uma grande brincadeira. Seu objetivo é proteger o menino do terror e da violência que os cercavam. Quando as organizações inventam eufemismos para disfarçar a realidade, elas próprias contribuem para criar ilusões e levar os empregados demitidos à revolta e ao desespero, achando que os patrões são cruéis e desumanos. A vida das organizações e cheia de riscos e crises, e elas não podem dar aos empregados a segurança e as vantagens de um funcionário público.
O outro filme é “Amor sem Escalas”. Ele conta a história de um consultor que roda o país ajudando as empresas a fazerem demissões. No filme, os “colaboradores” demitidos entram em pânico e têm as mais diversas reações; tudo muito típico de quem achou que era membro de uma família que, na crise, iria dividir o bife. Resumo da história: trate de amar sua profissão, ser competente, cuidar da sua educação permanente, construir suas reservas e, se um dia for demitido, saia de cabeça erguida e vá cuidar da sua vida... sem ilusões e sem acreditar em milongas corporativas.
José Pio Martins-UP
segunda-feira, 22 de março de 2010
NOMOFÓBICO, EU?
O estudante Ricardo Barros Lima, 23 anos, de São Paulo, já teve de voltar para a casa assim que descobriu que havia esquecido o telefone celular. Apesar de morar longe do trabalho e da cara feia do chefe pelo atraso, ele não conseguiu se separar do aparelho por um dia. “Não consigo ficar sem o celular. Sinto muita angústia”, diz. Ele faz parte de um grupo que sofre um distúrbio dos tempos modernos, a nomofobia, que vem se juntar às fobias mais conhecidas, como medo de altura ou de espaços fechados.
Nomofobia é uma nova expressão usada para designar a sensação de angústia que surge quando alguém se sente impossibilitado de se comunicar por estar em algum lugar sem seu aparelho celular ou outro telemóvel. Trata-se de um termo recente originado do inglês “no-mo” ou “no-mobile”, que significa sem telemóvel.
“A pessoa que sofre de nomofobia não consegue se desprender da tecnologia”, explica a professora Josyane Lannes Florenzano de Souza, mestre em Ciência da Computação e coordenadora do curso de Sistemas da Informação da Estácio UniRadial, unidade Moema, em São Paulo. E isso inclui celular, notebook, netbook e todo o aparato tecnológico que a deixa conectada com o mundo. “Ela pode esquecer a carteira ao sair de casa, mas não os aparelhos. Além disso, não desgruda do celular, por exemplo, nem para ir ao banheiro, à feira, à academia ou na hora do sexo”, diz ela, que sente na pele essa forte influência da tecnologia. “Em classe, metade dos alunos ficam conectados em seus notebooks e netbooks, além dos celulares”, conta. “Sempre fico com o celular ligado no vibracall na classe e, às vezes, saio para atender”, confirma Ricardo, que também leva o seu notebook para as aulas.
SINAIS DE ALERTA
Para ser caracterizada como fobia, a ausência desses tipos de aparelhos deve trazer prejuízo significante à vida, ou seja, causar sensação de pânico e impotência, atrapalhando a vida profissional e pessoal. Segundo a professora, quando as pessoas ficam dependentes
desses aparelhos, elas passam a apresentar vários sinais ao ficar longe deles, como taquicardia, suores frios, dor de cabeça e sensação de nudez.
“Outro dia houve um curto-circuito em casa e fiquei sem internet. Entrei em pânico, pois veio uma sensação de estar fora do mundo, perdendo alguma coisa”, relata Ricardo.
Há ainda outras características comuns nos nomofóbicos:
- Abandona tudo o que faz para atender o celular.
- Nunca deixa o aparelho sem bateria.
- Não carrega o celular na bolsa, bolso ou similares; prefere carregá-lo na mão para que possa atender imediatamente.
- Interrompe a relação sexual para atender o celular.
- Nunca esquece o celular em casa; se isso acontecer, volta de onde está para pegá-lo.
- Sente-se mal quando acaba a bateria, quando perde o aparelho ou pensa que perdeu.
SINAL VERMELHO
É claro que a tecnologia e a popularização da internet trazem benefícios inegáveis de ordem econômica e cultural para todo o mundo.
Mas essas inovações também imprimem mudanças nas relações interpessoais, que devem ser bem observadas.
“Já deixei de sair com amigos porque não queria deixar o conforto de casa, pois tenho as ferramentas, como o MSN, para conversar com eles sem o inconveniente de pegar trânsito, fila”, confessa Ricardo.
Para a professora da Estácio UniRadial, quando uma pessoa transforma a vida por causa da tecnologia, ela precisa de ajuda, pois está deixando conviver com amigos, interagir com a família e ter atividades sociais.
PESQUISA
Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto YouGov para o Departamento de Telefonia dos Correios britânicos, 53% dos usuários de telefone celular do Reino Unido sofrem de nomofobia.
O estudo concluiu que a síndrome atinge mais os homens (58%) que as mulheres (48%). Das 2.163 pessoas ouvidas, 20% afirmaram não desligar o telefone nunca, e cerca de 10% disseram que o próprio trabalho as obriga a estarem sempre acessíveis.
Para 55% dos entrevistados, a urgência de estar com o celular sempre ligado e perto está relacionada com a necessidade de se estar sempre em contato com amigos e familiares.
Para 9% dos entrevistados, desligar o celular os deixa em um estado de profunda ansiedade.